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quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Intercâmbio cultural


O Brasil é um país que, desde a sua formação, sofre influências de diversas culturas. Na sua construção cultural, contribuíram índios, africanos e europeus. Dessa forma, o Brasil se mostra, hoje, homogêneo e multifacetado simultaneamente. As maiores influências externas aconteceram no século XX, em decorrência da industrialização, no século anterior, dos países europeus e norte-americanos que tiveram, a partir da mídia, a realização de um incessante intercâmbio cultural entre continentes, através dos meios de comunicação de massa. Hoje, o Brasil é um país que tem dificuldade em estabelecer quais influências são importantes para a manutenção da sua identidade cultural, por ser constantemente atingido pela imposição cultural estrangeira.
A Semana de Arte Moderna, realizada no centenário da Independência do Brasil, foi o movimento que procurou desfazer-se da arte do passado, moldada a partir de influências estrangeiras, e que tentou construir uma identidade brasileira original, não mais dependente dos modelos estéticos da Europa. Oswald e Mario de Andrade foram os intelectuais que introduziram na literatura e na arte “um espelho” que refletia os elementos da realidade e dos costumes do povo brasileiro. Ao passo que amadureceram suas ideias sobre a real importância, do que vinha do exterior, para a formação da identidade do Brasil, Mário e Oswald acabaram enveredando para caminhos opostos.
Enquanto Oswald de Andrade entendia qualquer interferência cultural intercontinental desnecessária, defendendo um Brasil já suficientemente rico em cultura; Mário de Andrade enxergava um Brasil que tinha como identidade cultural uma síntese das múltiplas culturas vindas de fora que atuaram diretamente na história do Brasil. Apesar da ação desses e de outros modernistas na tentativa de efetivar a independência cultural do Brasil, a globalização, aliada com a mídia, motivada pelo objetivo meramente econômico de aumentar os consumidores dos países desenvolvidos, vem construindo um imperialismo cultural, desmanchando, a partir da alienação, os valores culturais de países emergentes.
Saber detectar o que é bom e o que é ruim, oriundo do estrangeiro, é muito importante, pois a alienação pode estar embutida na “imigração cultural”. Novos baianos, Movimento Tropicália, Chico Science & Nação Zumbi são alguns dos exemplos de bandas que encontraram a dosagem perfeita da mistura de ritmos regionais, populares e ritmos estrangeiros, revolucionando o passado musical e exaltando a cultura tradicional do Brasil, sem negá-la. Assim, a conexão entre os continentes pode ser benévola quando absorvida por um povo que tem a consciência de que a incorporação de ideias e de costumes  de outros povos é apenas um complemento para o que já havia antes.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Exteriorizando sentimentos - A ARTE

O conhecimento está muito distante das perspectivas humanas, do material, do palpável. A filosofia, a sociologia, a religião, a psicanálise, são parte dos diversos instrumentos que nós, homens, construímos para entender o papel que aqui exercemos, nos auto-analisar e responder os “porquês” formulados na nossa breve estadia no planeta Terra. Apesar de tantos mecanismos criados para resolver questões que são, ao mesmo tempo, individualistas e conjuntas; estudar o meio, criar utopias, ou atribuir ciência em todo, já não é suficiente para os habitantes desse novo mundo.  A origem de tudo é um enigma, o futuro também. 
Com o papel na mão, a intenção não existe, a mão dança e a idéia flui de acordo com a inspiração que chega aos poucos. O vasto e, posso até dizer, infinito vácuo que existe em nós é o impulso que nos faz questionar as lacunas existentes no exterior do nosso corpo. Assim criamos. Os desejos mais profundos, oníricos e ocultos que dormem lá dentro da alma são despertados sem nem percebermos: a arte estará sempre intrinsecamente ligada ao pensamento latente, que deixará de ser abstrato para se tornar formulado, estruturado e, assim transmitido.
Posso dizer que o planeta é constituído de matérias orgânica, inorgânica e pessoas. A complexidade das pessoas não está relacionada com os vários sistemas, órgãos e tecidos que compõem seus corpos, mas sim com sua individualidade. Cada indivíduo fabrica um mundo único dentro de si, de acordo com as ideias que ele, por uma espécie de válvula sensorial, deixa entrar e se encaixar no quebra-cabeça construtor da sua própria realidade.Dessa forma, pessoas são acumuladoras de riquezas ideológicas – juntam saberes e formulam valores de acordo com suas crenças. Amadurecem-se com a palavra, assim como um fruto é amadurecido com o humo.
Quando os momentos de infelicidade chegam, essas crenças são postas em prova. Os momentos de crise podem fortalecer, quebrar, ou reformular tais preceitos. As atribulações sempre vistas como dificuldade, raramente são entendidas e enfatizadas no parâmetro do bem que acarreta: é a partir do sofrimento que o homem cria forças para sair da situação de mal-estar e passa a ter novas concepções sobre o meio em que vive. É também a partir da dor que o homem aprende a valorizar as relações e os vínculos afetivos. E o principal: é na dor que o homem passa a pensar mais sobre tudo que o cerca. É através dessas indagações que surge a vontade de criar, de gravar os novos sentimentos e pensamentos oriundos dessa fase de tormentos.
Essa é uma busca eterna, constante, que nenhuma geração conseguiu por fim. Não há ciência, ideologia, nem crença que consiga exterminar tais indagações. Só sabemos que é possível tirar proveito da época em que habitamos a Terra e deixar nossas marcas perpetuadas aqui. Os “porquês” não deixarão de existir, mas a arte também não, pois ela é o maior e o melhor refúgio já foi inventado para aliviar as dores e as privações terrenas, que nos limitam a não conseguir definir com precisão o que somos e quais são os nossos reais objetivos. O mundo é reinventado e a infelicidade não se estagna, ela é parcialmente destruída, quando a imaginação abstrata é transformada em matéria concreta, em arte.

sábado, 28 de maio de 2011

Lixo Extraordinário - Documentário.

Fiquei lindamente pasma, hoje, assistindo o programa Ação, com Serginho Groisman.
O assunto desse sábado, 28 de maio, foi sobre o documentário em que Vik Muniz, artista plástico, retratou a vida dos catadores de lixo do maior aterro sanitário do Brasil, o Jardim Gramacho. Após quase três anos de convivência e trabalho, Vik mostrou a essência dos catadores de lixo com um olhar bem profundo.
As fotos de pessoas simples, tiradas ao longo do documentário, foram transformadas em trabalhos belíssimos: a arte construída com materiais reciclados foi leiloada e o dinheiro foi revertido para investir no bem-estar dos catadores.
Muito além de retratar o cotidiano daquelas pessoas, Vik Muniz resgatou, indiretamente, a felicidade e o orgulho dos catadores em exercer esse trabalho árduo, apenas exercido por pura necessidade sendo alvo constante de preconceitos.
Mostrou também que a arte é um direito de todos e não um privilégio das classes mais altas. Que, a partir da feiura do lixão, é possível construir o belo. E o mais importante: exaltou a beleza e a singularidade de cada pessoa, que antes era interpretada como sendo apenas o conjunto único dos catadores de lixo, "invisíveis" na sociedade.
O filme, "Lixo extraordinário", foi indicado ao Óscar de melhor documentário, e Tião, o presidente da associação dos catadores de Jardim Gramacho, foi a principal fonte de inspiração para Vik Muniz.
Vale a pena tentar enxergar e ressaltar a individualidade de cada um, respeitar e dar oportunidades para que ele seja contemplado. Essa é a mensagem que pode ser tirada dessa linda história.
Acompanhe o trailler oficial do documentário, podendo ser assistido em partes pelo Youtube.